Conselho de Padre

Em diversos aspectos muitos católicos romperam com seus sacerdotes, ou vice versa. Houve uma quebra de confiança que será difícil recuperar. Aquele fiel que ia pedir a benção ou conselhos do padre está cada dia mais raro. O que critica está em alta. A mídia amplifica a situação ao amplificar os relatos de desvios dos sacerdotes. Culpa nossa, culpa de um punhado de circunstancias, mas precipuamente, culpa do abandono da confissão e da direção espiritual, dois valores essenciais da vida cristã..

Quando números desalentadores de sacerdotes deixaram de lado o confessionário por outras práticas pastorais, quando se deixou de dar mais tempo para o fiel que desejava desabafar, perdeu-se a ideia de sacerdote padre-pai em troca da ideia de sacerdote líder e pregador. No ideário das pessoas, cultas ou simples que sejam, há um tipo de pai espiritual a quem a gente abre o coração e há um tipo de líder com quem a gente briga, luta e até bebe cerveja, mas a quem a não pede conselhos, nem os ouve porque sabem e erram tanto quanto os demais fiéis.

Se em algumas circunstâncias a mudança de perfil do sacerdote católico foi de grande valia, nessa não foi. O aconselhamento perdeu terreno. A palavra do padre deixou de ter o peso que tinha. E coincide com uma enorme necessidade de confissão neste fim de século que massacra indivíduos e grupos inteiros. De conseqüência os profissionais ou os curiosos de aconselhamento lá fora aumentaram na proporção de 1 para 200: psicólogos, pedagogos,videntes, pais de santo,pedras, búzios, tarô, horóscopo ,animadores de televisão,revistas e jornais. Há sempre alguém pedindo conselho e abrindo sua vida em público à espera de conselho.

Mais: há sempre alguém confessando seus pecados no radio, na televisão e nas revistas. “Fiz isso, mais isso , mais aquilo e não me arrependo”.“Fiz mas me arrependo”. “Mexi com isso,mas agora estou fora”..”Ele não me quer mais, o que faço?”… E há o convertido que vai lá dar testemunho de que foi salvo e, para ajudar o outro, revela o seu pecado. Trocaram o confessionário e a voz baixa pela televisão e diante de milhões de olhos e ouvidos. O mundo continua se confessando cada dia mais deslavadamente, só que fora do confessionário.

Uma Igreja que prepara seus sacerdotes por anos a fio para serem conselheiros e amigos e lhes dá uma bagagem razoável, descobre que o seus fieis não mais se confessam nem consultam seus padres sobre assuntos vitais. Mas ouvem o médico, o psicólogo, a vizinha , o artista,a cantora, a animadora de televisão …

A opinião da Igreja deixou de ser importante para eles. Em parte por causa da nossa fraqueza de padres, porque levamos esse tesouro em frágeis vasos de barro 2 Cor 4,7. Muita gente já não confia em nós. Em parte porque sem horários para a confissão e sem direção espiritual fecharam-se canais importantes para muitas conversões . Que se restitua às paróquias e mosteiros o sadio hábito da confissão, é claro, com as conquistas da pedagogia e da psicologia. O povo não deixou e se confessar: inclusive os sem fé; agora o fazem diante de holofotes… Que o padre, também ele pecador, revalorize este sacramento. O povo certamente voltará. Pensando bem, não foi o povo que foi embora: fomos nós que fechamos os lugares de abertura de alma…

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