Intolerância e fanatismo

Em terra de fanatismo a mil, a tolerância é zero.

Na maioria dos casos a razão não funciona. Como suas verdades são absolutas, qualquer outra verdade que não seja aquela é vista como mentirosa. Foi o que se depreendeu de notícia de fins de agosto acontecida no Paquistão. Não é que o Paquistão seja terra de muçulmanos fanáticos. Não ofendamos os serenos. Mas, quando grupos extremistas religiosos não são contidos um país se torna inviável.

Uma menina de onze anos, filha de cristãos, que lá não somam 3%, rasgou dez folhas do Corão. Acontece que a menina sofre de síndrome de Down. Mesmo que não sofresse seria inimputável. No caso dela, mais ainda! Nem seus pais podem responder por todos os atos dela. A menina e os pais estão sob a proteção do Estado que apoiado por comunidades muçulmanas sérias, entendem que ela não pode ser punida, uma vez que a doença a faz inimputável.

Mas aí entram os radicais. Não podem e não sabem ceder. Rasgou o Corão, não importa quem seja e com que intenção e em que situação de saúde mental, deve ser punida porque o Corão é intocável! Nem Maomé a condenaria. As suras que tratam do perdão e da compaixão, da mesma forma que o Antigo Testamento dos judeus e mais de cem versículos da Bíblia dos cristãos deixam claro que os inocentes e os incapazes devem ser perdoados. Se aos culpados que se arrependem deve-se perdão, mais ainda aos inocentes e aos de mente enferma.

Segundo as noticias de jornal há um grupo que jurou vingança e punição contra a menina enferma. A ser verdade, estão mais enfermos do que ela. Quem deveria ser punido são eles. Mas, quando a fé vai a estertores é porque abandonou a razão. E quem crê sem o uso da razão, perdeu a razão de se afirmar crente.
Tempos atrás, vi na televisão um pregador responder a uma fiel que, tendo ou não um doente na família, não poderia se eximir de pagar o dízimo para a igreja, porque o Governo não isenta de imposto a família que tem um enfermo em casa… Errou três vezes com sua intolerância zero.

Primeiro, porque o Governo contempla inúmeras isenções para quem tem enfermos em casa e se mostra mais misericordioso que aquela igreja. Segundo, porque mesmo que o Governo fosse implacável na cobrança de imposto uma igreja não pode ser implacável na cobrança do dízimo. Terceiro, porque é da essência da fé cristã a compaixão para com o pobre e os “go-el”, os sem recurso algum. Em Marcos 12,40 há uma condenação severa contra tal comportamento. Pelas leis do Brasil eles seriam os punidos.

Faça um comentário