O tipo de padre que eles querem

Católicos se dividem em revolucionários, progressistas, conservadores e ultraconservadores e moderados. Mas poucos aceitam ser catalogados, embora gostem muito de catalogar os seus padres.

Tenho um blog, e alguma presença no Facebook e no Twitter, às vezes no Instagram. E muita gente reproduz o que escrevo.

Depois de 50 anos, percebo que é impossível ser padre e não ser rotulado ou catalogado pelo povo católico ou anti católico. Pouco importa quem sou eu e o que já fiz ou disse nestes 50 anos de padre.

Importa para os analistas de um pregador é que o pregador aceite ser carimbado como produto de consumo.

ÚTIL/ INÚTIL/ AVANÇADO/ JOVEM/ VELHO/ BONITO/ ANTIPÁTICO/ ULTRAPASSADO/ CULTO/ PIEDOSO/ MUNDANO/ BURGUÊS/ ALIENADO/ LEGAL/ BRAVO/ INTOLERANTE.

Há mais de 50 adjetivos que se atribuem aos padres. E os que mais aparecem, em função do cargo ou da exposição na mídia ou na internet, são os mais apelidados.

Como é impossível liderar uma paroquia, um colégio, uma pastoral, um programa de rádio ou de TV sem mexer com a cabeça dos crentes ou descrentes, na sua maioria, os padres são objeto de controvérsia. É como ser uma placa numa encruzilhada e não ser notada.

No meu caso já ouvi de tudo. Se tivesse medo de ser julgado ou catalogado, nem sequer venderia pipocas na esquina, porque sempre haveria quem pusesse defeito nas pipocas.

Padre fala! E porque deve falar vai mexer com cabeças. Padre opina sempre mostrando a opinião da Igreja. Deveria fazê-lo. Se não opina, está em falta com a Igreja que fica sem seu arauto e porta-voz.

Por isso, quando me pedem para opinar, eu opino! Se serei aceito isso já não é comigo!

Mas minha vocação é levar a Palavra que aproxima as pessoas: de Deus e das outras!

Sem ensinar o diálogo o padre se perde no púlpito e na vida!

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